O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou ontem que a Operação Overclean representa uma nova tentativa de interferir no processo eleitoral baiano. A declaração ocorreu após a Polícia Federal pedir busca e apreensão contra o ex-prefeito de Salvador no âmbito da décima fase da operação.
O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou não haver base legal para autorizar a medida.
Em nota à imprensa, ACM Neto classificou as informações que relacionam seu nome à investigação como “factoides” e “insinuações mentirosas e falsas”. Segundo ele, a divulgação de informações de forma seletiva teria como objetivo atingir sua candidatura às vésperas da eleição. “Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral”, afirmou.
A Operação Overclean foi deflagrada inicialmente em dezembro de 2024 e investiga suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos. Nesta quinta-feira, a PF cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. A nova etapa apura contratos na área de educação em Belo Horizonte que somam cerca de R$ 80 milhões.
De acordo com informações divulgadas pelo UOL, a investigação apura a suspeita de que ACM Neto teria indicado um secretário para a Prefeitura de Belo Horizonte com o objetivo de favorecer a participação de empresários em licitações públicas. A suspeita levantada pela PF é de que, posteriormente, poderiam ocorrer retornos financeiros ilícitos. O candidato é vice-presidente nacional do União Brasil, partido que também aparece no radar da investigação por supostas influências em indicações para cargos públicos.
A Procuradoria-Geral da República havia apresentado parecer favorável ao pedido de busca e apreensão contra Neto. Nunes Marques, porém, rejeitou a solicitação. O pedido da PF havia sido feito anteriormente, mas a autorização para a nova fase da operação ocorreu apenas agora, por decisão do STF.
Entre os alvos da décima fase estão o empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”, e Fábio e Alex Parente, ligados a empresas de construção e limpeza urbana. A investigação aponta suspeitas de oferta de empresas para participação em licitações financiadas por emendas parlamentares.
Na nota, ACM Neto destacou que, desde o início da operação, não houve apontamento formal de conduta ilícita atribuída a ele. “Não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados”, declarou. Ele também afirmou que continuará percorrendo a Bahia e apresentando propostas até o dia da votação.







