O momento, que deveria ser de compromisso e responsabilidade, foi transformado em palco de autopromoção.
Dias depois, porém, veio a incoerência. A prefeita teve a oportunidade concreta de representar os interesses dos produtores em um espaço de poder real: esteve frente a frente com o presidente Lula, durante um evento em Salvador, onde inclusive teve direito à fala.
Era o cenário ideal para levar a pauta dos cacauicultores, dar visibilidade nacional à crise do setor e cobrar políticas públicas que socorressem quem sustenta a economia rural da região.
No entanto, a oportunidade foi desperdiçada. Em vez de usar o espaço para defender os produtores que dias antes dizia apoiar, a prefeita, que em seu discurso ainda chegou a dizer que nasceu na roça, optou apenas por fazer declarações de exaltação pessoal ao presidente, sem qualquer menção à causa do cacau, sem qualquer pedido, cobrança ou reivindicação em favor da classe produtora. O silêncio sobre o sofrimento dos cacauicultores foi tão eloquente quanto simbólico: quando mais precisaram de representação, ficaram sem voz.
É válido que um gestor público exalte líderes políticos que admira, mas a prioridade de quem governa deve ser o povo que representa. Entre elogios e declarações pessoais, caberia — e era esperado - que a prefeita chamasse a atenção do presidente para a crise dos cacauicultores, a mesma causa que dizia defender.
Mais grave ainda é que essa postura reflete a prática da grande maioria dos políticos: usam as lutas populares como vitrine, mas se ausentam quando surge a chance real de transformar discurso em ação. Os produtores de cacau não precisam de discursos vazios, e sim de compromisso e representação verdadeira.

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