Após o Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, anunciar a suspensão temporária da importação de cacau da Costa do Marfim, Dai e Léo de Neco se apresentaram publicamente como principais articuladores da medida. Em seus perfis oficiais nas redes sociais, ambos divulgaram intensamente a decisão, tratando-a como uma conquista significativa e resposta direta às reivindicações do setor produtivo.
Entretanto, o discurso mudou quando produtores e a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), presidida por Vanuza Barroso, avaliaram que a suspensão temporária da importação não resolve, de forma estrutural, os problemas enfrentados pelo setor. A entidade concluiu que a medida, apesar de representar um gesto político, não enfrenta questões centrais como preços, competitividade e garantias ao produtor nacional.
A partir desse entendimento, Dai e Léo de Neco, que até então se mostravam próximos à ANPC e utilizavam a entidade como referência em seus discursos, passaram a isolar a associação e sua presidente no debate público. A exclusão da entidade — inclusive na reunião realizada em Brasília que definiu a suspensão da importação — já havia sido aceita por ambos, segundo relatos de bastidores. Posteriormente, deixaram de destacar o esforço da ANPC e também não demonstraram apoio à nova mobilização convocada pela entidade e produtores.
O distanciamento tornou-se ainda mais evidente na manifestação realizada na sexta-feira (27), quando os dois não estiveram ao lado dos produtores. A ausência reforçou a percepção de alinhamento ao Governo Estadual, especialmente ao governador Jerônimo Rodrigues, que já havia se posicionado pelo fim das manifestações. No mesmo dia, veículos que seguiam para o ato teriam sido alvo de fiscalizações por parte da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), situação classificada por manifestantes como suposta perseguição estrategicamente adotada pelo Governo do Estado.
O cenário evidencia um movimento político que vai além da suspensão temporária da importação do cacau marfinense. Não apenas Dai e Léo de Neco, mas também outros agentes públicos — prefeitos, secretários municipais e vereadores que inicialmente se posicionavam como defensores dos cacauicultores — passaram a silenciar diante dos novos desdobramentos. Para muitos produtores, o silêncio demonstra que o apoio estava mais ligado à visibilidade política do que à defesa concreta da lavoura cacaueira.
Fonte: portal Bahia em Dia

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