sábado, 28 de fevereiro de 2026

Chamado de oportunista pelo cacauicultores, Léo de Neco tem sido alvo de críticas intensas nas redes sociais

 

Após marcarem presença nas primeiras manifestações realizadas por produtores de cacau no sul da Bahia, a prefeita de Gandu, Daiana Santana (Dai), e o ex-prefeito e pré-candidato a deputado Léo de Neco passaram a adotar uma postura que, segundo avaliação de lideranças do setor, revela tentativa de protagonismo político em meio à crise enfrentada pelos cacauicultores. A mudança de posicionamento reforça o que já havia sido sinalizado pelo colunista Junior Rodrigues em artigo publicado no portal Bahia em Dia.

Após o Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, anunciar a suspensão temporária da importação de cacau da Costa do Marfim, Dai e Léo de Neco se apresentaram publicamente como principais articuladores da medida. Em seus perfis oficiais nas redes sociais, ambos divulgaram intensamente a decisão, tratando-a como uma conquista significativa e resposta direta às reivindicações do setor produtivo.

Entretanto, o discurso mudou quando produtores e a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), presidida por Vanuza Barroso, avaliaram que a suspensão temporária da importação não resolve, de forma estrutural, os problemas enfrentados pelo setor. A entidade concluiu que a medida, apesar de representar um gesto político, não enfrenta questões centrais como preços, competitividade e garantias ao produtor nacional.

A partir desse entendimento, Dai e Léo de Neco, que até então se mostravam próximos à ANPC e utilizavam a entidade como referência em seus discursos, passaram a isolar a associação e sua presidente no debate público. A exclusão da entidade — inclusive na reunião realizada em Brasília que definiu a suspensão da importação — já havia sido aceita por ambos, segundo relatos de bastidores. Posteriormente, deixaram de destacar o esforço da ANPC e também não demonstraram apoio à nova mobilização convocada pela entidade e produtores.

O distanciamento tornou-se ainda mais evidente na manifestação realizada na sexta-feira (27), quando os dois não estiveram ao lado dos produtores. A ausência reforçou a percepção de alinhamento ao Governo Estadual, especialmente ao governador Jerônimo Rodrigues, que já havia se posicionado pelo fim das manifestações. No mesmo dia, veículos que seguiam para o ato teriam sido alvo de fiscalizações por parte da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), situação classificada por manifestantes como suposta perseguição estrategicamente adotada pelo Governo do Estado.

O cenário evidencia um movimento político que vai além da suspensão temporária da importação do cacau marfinense. Não apenas Dai e Léo de Neco, mas também outros agentes públicos — prefeitos, secretários municipais e vereadores que inicialmente se posicionavam como defensores dos cacauicultores — passaram a silenciar diante dos novos desdobramentos. Para muitos produtores, o silêncio demonstra que o apoio estava mais ligado à visibilidade política do que à defesa concreta da lavoura cacaueira. 

Fonte: portal Bahia em Dia

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