A pesquisa parte de 27 perguntas sobre valores e posições ideológicas dos cinco núcleos: lulistas (20% do eleitorado); esquerda não-lulista (15%); independentes (29%); direita não-bolsonarista (22%) e bolsonaristas (13%). A primeira conclusão é que os não-bolsonaristas e os bolsonaristas concordam em quase tudo, o que explica a rápida ascensão de Flávio nas pesquisas assim que foi escolhido herdeiro de Jair Bolsonaro.
A segunda é que a esquerda não-lulista tem posições à esquerda dos lulistas, o que comprova como o presidente é maior que o PT e consegue avançar sobre parte do eleitorado conservador.
Os independentes estão na encruzilhada. Na média, são mais mulheres do que homens, têm mais de 30 anos, vivem no Sudeste e se declaram pardos e católicos. Como poderia se esperar de um agrupamento que não se identifica com as duas maiores facções políticas, os nem-nem são diversos, flexíveis em suas opiniões e, às vezes, contraditórios. Compare como os independentes se posicionaram na pesquisa, feita com 2.004 eleitores em 5 de outubro:
Pontos em que os independentes concordam mais com lulistas e esquerda
Isenção de Imposto de Renda até R$5 mil
Aumentar imposto dos mais ricos
Fim da escala 6x1
Manter Bolsa Família
Contra facilitar a posse de arma
Contra proibir casamentos gays
Pontos que os independentes concordam com bolsonaristas e direita
Acha que os auxílios fazem as pessoas trabalharem menos
Defende liberdade de expressão absoluta
Não acredita que sua vida melhorou nos governos do PT
A favor de privatizações
A favor de classificar facções como terroristas
Contra debater sexualidade na escola
Acha ruim ver casais gays se beijando
De acordo com a pesquisa, os independentes ficam no meio do caminho em temas que separam diametralmente lulistas e bolsonaristas: o impeachment de Alexandre de Moraes, a confiabilidade das urnas eletrônicas e as cotas para negros nas universidades.
“Rotular um eleitor é um trabalho complexo. Alguém pode ser conservador em um tema, por exemplo na questão do aborto, e progressista em outro, como o casamento gay. Por isso, usamos um método estatístico que analisa o conjunto de respostas sobre valores e visões de mundo de cada um dos cinco grupos e criamos um escore ideológico. Assim, podemos ver as pessoas posicionadas ideologicamente por suas opiniões e valores e não como se declaram”, explica Felipe Nunes, CEO da Quaest.
Quando esse escore ideológico é montado, afirma Nunes, “salta aos olhos o fato de que a maior parte dos independentes se concentra próximo às posições da centro direita”.
A conclusão não é necessariamente uma boa notícia para a candidatura de Flávio Bolsonaro, que é tão rejeitada quanto a de Lula. Na pesquisa Genial/Quaest de fevereiro, 64% dos eleitores autodeclarados independentes rejeitaram tanto votar em Lula quanto em Flávio Bolsonaro, 9 pontos percentuais acima da média nacional.
A questão é mais profunda e sugere um ambiente de antipolítica entre os que rejeitam Lula e a família Bolsonaro. Os independentes são o grupo que mais concorda com a frase “todos os candidatos são corruptos” . Na pesquisa de fevereiro, 30% disseram que não pretendem votar com as opções de primeiro turno. No segundo turno, esse número sobe para 38%.

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