De acordo com pesquisa encomendada pelo site Bahia Notícias, a distância entre o ex-prefeito de Salvador e o petista é de 17,13 pontos percentuais, superando com folga a margem de erro de 2,5 pontos. Outros nomes testados, como o ex-deputado federal José Carlos Aleluia (Novo) e um dos fundadores do PSOL na Bahia, Ronaldo Mansur, registram menos de 1% cada, evidenciando que a disputa permanece concentrada nos dois blocos que duelaram em 2022.
Rejeição: Jerônimo lidera; ACM Neto mantém índice menor
A pesquisa também mediu o potencial de veto do eleitorado por meio do índice de rejeição. Nesse cenário, o governador Jerônimo Rodrigues lidera com 37,96%, percentual que representa um obstáculo à estratégia de reeleição, já que índices elevados de rejeição tendem a dificultar a conquista dos 9,93% de eleitores ainda indecisos nesta sondagem.
Já ACM Neto foi citado por 22,65% dos entrevistados como o candidato em quem “não votariam de jeito nenhum”, mantendo um patamar similar ao observado em levantamentos passados.
Contestação governista
A divulgação dos números provocou uma reação imediata na base governista. O deputado estadual Marcelino Galo (PT) questionou a credibilidade do instituto, relembrando que, em 2022, a Séculus apontava a vitória de ACM Neto ainda no primeiro turno, o que acabou não se concretizando com a eleição de Jerônimo Rodrigues no segundo turno. Segundo o vice-líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), a pesquisa atual carece de transparência em seu plano amostral.
“Não houve detalhamento sobre quais cidades e bairros foram pesquisados, nem o número de entrevistados por localidade, o que fragilizou o plano amostral”, criticou Galo.
Além disso, o deputado apontou uma possível indução visual no formato do disco apresentado aos entrevistados. Para Galo, haveria uma diferença na proporção gráfica que daria maior destaque ao nome de ACM Neto, o que, em sua visão, compromete a imparcialidade do processo de coleta. O petista classificou o levantamento como uma tentativa da oposição de rebater dados que não lhe eram favoráveis, defendendo que a ausência de informações detalhadas sobre as cidades pesquisadas — 72 municípios ao todo — abre margem para interpretações distorcidas por parte do eleitorado.
Otimismo na oposição
Em contrapartida, o líder da oposição na AL-BA, deputado estadual Tiago Correia (PSDB), celebrou os números e projetou um cenário de vitória consolidada. Para o tucano, o fato de ACM Neto atingir cerca de 60% dos votos válidos (descontando brancos, nulos e indecisos) mostra uma força política resiliente.
“ACM Neto chegar a 60% dos votos válidos mostra muita força. E eu acredito que ele ainda tem espaço para crescer mais, porque representa uma alternativa para a Bahia”, afirmou o parlamentar.
O líder oposicionista também criticou a atual gestão estadual, afirmando que o tempo de governo de Jerônimo já foi suficiente para que a população fizesse um julgamento sobre as entregas administrativas. Na visão de Tiago Correia, os números refletem uma frustração do eleitorado com a falta de soluções concretas para os problemas estruturais do estado, transformando o sentimento de “mudança” em intenção de voto direta para ACM Neto.
“A população esperava mudanças, mas o que se viu até agora foi muita promessa e pouca solução”, declarou o tucano.
A pesquisa Séculus, realizada com 1.535 entrevistados, serve como o primeiro grande termômetro eleitoral de 2026 na Bahia.

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