Em vídeo, representantes da Colônia Z7 afirmam que a liberação de água doce no estuário tem afetado diretamente a chamada “Santa Maré”, principal fonte de renda da região. Segundo eles, o fenômeno estaria matando mariscos e inviabilizando a atividade, deixando famílias inteiras sem sustento.
Enquanto a usina segue operando e gerando energia, os trabalhadores dizem enfrentar prejuízos diários. “O pescador sai para trabalhar e volta sem nada. E aí, quem paga os boletos?”, questiona um dos líderes do movimento, que também cobra uma resposta da Justiça sobre uma ação coletiva que, segundo a comunidade, já se arrasta há cerca de sete a oito anos.
Outro ponto de revolta é o atraso no pagamento do seguro-defeso — benefício pago a quem depende da pesca artesanal durante o período de proibição da atividade, conhecido como piracema. Para muitos, o valor funciona como uma espécie de “13º salário”.
A situação, segundo os relatos, tem se agravado. Em plena Sexta-feira Santa, período de maior demanda por pescado, a liberação de água teria intensificado os danos. “A fome dói. Tem pai e mãe que não conseguem levar nem o pão pra casa”, desabafa um morador.
Os depoimentos mostram o tamanho da crise. Uma das moradoras relata que tem quatro filhos e não consegue garantir o básico. Já a marisqueira Ana Lúcia Gomes Pereira diz que antes sustentava a família com o trabalho na maré, mas hoje encontra o cenário devastado.

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