Com o aumento das chuvas e os frequentes alagamentos em Salvador e em cidades do interior, o risco de leptospirose volta ao centro das preocupações sanitárias na Bahia. A doença, causada pela bactéria *Leptospira* e transmitida principalmente pela urina de ratos em contato com água contaminada, pode evoluir para quadros graves e até fatais.
Dados atualizados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), por meio da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (SUVISA) e da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), apontam que, em 2025, foram confirmados 107 casos de leptospirose na Bahia, com 19 óbitos. A taxa de letalidade no período foi de 17,7%.
Em 2026, até a 8ª Semana Epidemiológica (dados atualizados na última terça (3), foram contabilizados seis casos confirmados e um óbito no estado. Na comparação entre os dois anos até a 8ª semana epidemiológica, houve redução de 64,3% no número de casos, passando de 14 registros em 2025 para cinco em 2026 no mesmo intervalo.
Salvador concentra a maior parte das ocorrências. Em 2025, dos 107 casos confirmados na Bahia, 67 foram registrados na capital, o equivalente a 62,6% do total. Dos 19 óbitos no estado, 14 ocorreram em Salvador. Em 2026, até o momento, três dos seis casos confirmados foram notificados no município.
A doença foi registrada em 22 municípios baianos no ano passado. Depois de Salvador, destacam-se Camaçari (8 casos), Porto Seguro (4), Feira de Santana, Ipiaú e Simões Filho (3 casos cada). Ilhéus, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista e Campo Alegre de Lourdes tiveram dois registros cada. Nos demais municípios houve apenas um caso confirmado.
O perfil epidemiológico mantém o padrão de maior incidência entre homens em idade economicamente ativa. Em 2025, 92 dos 107 casos confirmados ocorreram no sexo masculino, que também respondeu por 17 dos 19 óbitos. Em 2026, dos seis casos registrados até o momento, cinco são em homens, incluindo o único óbito.
As faixas etárias mais atingidas em 2025 foram de 20 a 34 anos (36 casos), 35 a 49 anos (30) e 50 a 64 anos (19). Em 2026, mesmo com número reduzido de notificações, os casos seguem concentrados nesses mesmos grupos. A infectologista Clarissa Cerqueira explica que a contaminação ocorre principalmente em situações de enchentes. “Quando chega a enchente, a água se mistura à urina contaminada de roedores. Se a pessoa estiver exposta e tiver pequenas lesões na pele ou contato pelas mucosas, a bactéria pode penetrar e causar a infecção”, afirma.
O período de incubação varia de dois a 30 dias, sendo mais comum entre cinco e 14 dias após a exposição. Os primeiros sintomas incluem febre alta, dor de cabeça e dores musculares intensas, especialmente nas panturrilhas, além de náuseas e vômitos. O quadro inicial pode ser confundido com dengue. Nos casos graves, podem surgir icterícia, diminuição da urina, falta de ar e queda de pressão, situações que exigem internação imediata.
O tratamento varia conforme a gravidade, podendo incluir antibióticos e suporte hospitalar. Especialistas reforçam que a prevenção passa por evitar contato com água de enchente, usar botas e luvas impermeáveis quando a exposição for inevitável e manter o controle de lixo e roedores. Em um estado onde alagamentos são recorrentes, o monitoramento epidemiológico e a busca precoce por atendimento continuam sendo fundamentais para reduzir complicações e salvar vidas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário